sexta-feira, setembro 22, 2017

Um discurso de palha!

Veio agora Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, apelar à pacificação do futebol português, em nome do bom nome, em nome da indústria, e a gente fica a pensar onde terá andado este senhor nestas últimas épocas. Ah, já sabemos, andou a tratar da selecção porque o trabalho de casa ficou sempre por fazer.

Fala do ‘bom nome’ do nosso futebol, um pântano de emails comprometedores, mas nem uma palavra sobre o assunto!

Fala da indústria mas nada fez para diminuir o fosso entre os três gigantones e os restantes competidores! Antes pelo contrário, tem sido feito de tudo para catapultar os gigantones para a Europa deixando os outros aqui a vegetar! É uma questão de opção. Daí não haver resposta para a seguintes perguntas:
Onde está a centralização dos direitos televisivos para uma melhor distribuição do respectivo bolo?! Onde está a limitação ao número de jogadores que são propriedade de cada clube?! É que qualquer dia os jogadores, embora emprestados, têm o mesmo dono!

Fala da violência dos adeptos como se fosse novidade! Não fala das claques legalizadas e daquelas que não são!

Fala da honorabilidade dos árbitros mas não explica porque foram intimados a fecharem as respectivas contas nas redes sociais! Qual a razão desta súbita medida?!

Não fala do vídeo árbitro porque bem sabe que se tratou de uma medida prematura, que para ter algum sucesso exigiria duas condições prévias: - em primeiro lugar uma limpeza e reorganização do sector arbitragem; em segundo lugar que a realização televisiva estivesse a cargo de uma única entidade e não de duas como agora sucede. Sem estes dois requisitos o vídeo árbitro é mais um instrumento ao serviço de interesses ocultos.

Fala da forma mas nunca fala da substância. Quer acabar com o clima de altercação e ódio entre clubes como se isso fosse independente das suspeitas que existem sobre a veracidade dos emails já divulgados! A verdade desportiva não aparece no seu discurso! A corrupção é sempre lateral e o exemplo que dá é sintomático - tem a ver com as apostas ilegais em jogos de divisões secundárias! A primeira Liga nunca é referenciada!

Quem gostou deste discurso foi o governo, que veio logo apoiar, governo que nunca teve a coragem de impor, em nome da equidade e à semelhança do seu congénere espanhol, a centralização dos direitos televisivos!

Quem também deve ter gostado deste discurso foi a própria corrupção! O seu maior desejo é calar as denúncias para continuar a corromper pela calada.



Saudações desportivas

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